sexta-feira, novembro 24, 2006

Meia hora

Fora desse campo, pairo sobre a atmosfera. O nevoeiro úmido é como o vácuo para os gritos daqueles seres mudos. O sufocamento atinge graus insuportáveis para além do limite da espera do prazer. É quando a garganta espreita-se ao arranhar e a boca põe-se a sugar qualquer ar que gere vida.

Essa é a ressaca da explosão, que dura a semana inteira e que agora escuta o constrangimento dos sutis gritos suspirados não ouvidos outrora, e desculpa-se pelo arrebatamento solitário inquietante à espera da combustão. Aqui embaixo estou pronto para decolar, mas agora o gozo se espalha longitudinalmente e a chuva compacta o fervor do asfalto onde o círculo é fechado por nossos corpos, deliberadamente aprisonados um ao outro.

3 comentários:

Aline disse...

a chuva de ontem... que acabou a luz por seis horas aqui em casa... devia ser a mesma que te afetou...

aline disse...

ahhhh eu cliquei erradoo.

=D

niltim disse...

E quando não é o momento de ler os lábios? de sugar pela boca... arranhar-te? é bastante sensual isso das tuas palavras. bem dizido, como dizem sabiamente ancestrais nordestinos.

parabéns... estarei aqui mais vezes!

 
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